09.10.2009 - 12h16
Prêmio viabiliza residência artística em pontos de cultura e contemplou, em sua segunda edição, dez instituições de Pernambuco
Mariana Reis
Estrela de Ouro/Divulgação
Jorge Mautner no Estrela de Ouro, na primeira fase do Kaosnavial
Experimentações sobre maracatu com músico Jorge Mautner, espetáculo de cavalo marinho com Grupo Grial de Dança e intervenções artísticas envolvendo música, teatro e novas tecnologias. Esses são alguns dos trabalhos contemplados com o Prêmio Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura na edição 2009 e que acontecem em Pernambuco.
O resultado do prêmio, realizado pelo MinC e Funarte, foi divulgado na última terça-feira (06) e contemplou projetos nas quatro regiões do País, além de projetos de abrangência nacional. Dez pontos de cultura do Estado foram contemplados com a iniciativa. Bongar, Coco de Umbigada, Tecer, Estrela de Ouro, Alto da Mina, Artes do Cangaço, Alafin Mimi, Surdas Vozes Visuais, Associação Respeita Januário e Centro de Desenvolvimento de Tecnologias Livres (CDTL) estão entre os premiados. A troca de experiências entre artistas de outras cidades de Pernambuco e de outros Estados, como São Paulo e Rio de Janeiro.
Como destaque, temos o Estrela de Ouro, que recebe o artista Jorge Mautner, o Coco de Umbigada, que residirá dois artistas, e o Bongar que, em vez de receber um convidado, vai até Campinas, desenvolver projeto num ponto de cultura local. A Associação Respeita Januário também foi um dos contemplados com projetos de abrangência nacional, com trabalho do Grupo Grial de Dança relacionado ao cavalo marinho.
Os prêmios são nos valores de R$ 15 mil a R$ 90 mil, de acordo com cada categoria. Nesta segunda edição, um total de 120 iniciativas foram selecionadas em todo o Brasil. O Prêmio Interações Estéticas consiste no deslocamento do artista para um outro contexto cultural com o objetivo de desenvolver um processo de criação artística associada à troca de experiências, linguagens, conhecimentos e realidades, com produção realizada no Ponto de Cultura escolhido durante três ou seis meses.
MARACATU ATÔMICO E CAVALO MARINHO – Dos sete projetos nacionais contemplados com o prêmio suplementar no valor de R$ 90 mil (abrangência nacional), três realizarão atividades em pontos de cultura do Estado: Estrela de Ouro, Coco de Umbigada e Associação Respeita Januário. O músico Jorge Mautner, célebre autor do Maracatu Atômico, sucesso nas vozes de Gilberto Gil e Chico Science, será recebido pelo Ponto de Cultura Estrela de Ouro, de Aliança. Ali será desenvolvido o Projeto Trilogia Maracatu Atômico – Movimento Número 02, que viabilizará a realização do documentário Kaosnavial.
O Coco de Umbigada, de Olinda, recebe o artista Ronaldo Eli Júnior, do grupo Nordeste Livre, que leva para a comunidade do Guadalupe o Projeto Semussum Brasil, voltado para realização de um núcleo de memória. Já o Grupo Grial de Dança leva o Projeto Uma História, Duas ou Três para o Recife, numa parceria com o Ponto de Cultura Viva Pareia: Cartografia Musical, Registro e Memória do Cavalo Marinho, da Associação Respeita Januário.
INTERAÇÕES ESTÉTICAS - O Bongar, da comunidade do Xambá, em Olinda, ao invés de receber um artista em seu ponto de cultura, aprovou projeto de residência artística na Casa de Cultura Tainã, de Campinas, em São Paulo. Ali, o grupo musical desenvolverá o projeto Encontro de Tambores: mitologia, memória, música e tecnologia (Saudação a Ogum). No caminho oposto, de Campinas para Olinda, a artista Daphne Fucks vai ao Coco de Umbigada com o Projeto Bonecos e Máscaras de Pernambuco. Com o trabalho de Daphne, chega a dois o número de projetos recebidos nesta edição pelo Coco de Umbigada.
O Centro de Desenvolvimento de Tecnologias Livres (CDTL) do Recife, oferecerá residência artística ao grupo No Ar, que aprovou projeto no valor de R$ 25 mil sobre Eletropipas. Na mesma categoria, o artista Luiz Alves Ferreira, de Condado, leva o seu Mirante Cultural - Cavalo Marinho com pés e mãos no barro até o Ponto de Cultura Alto da Mina / Recicle Bat Pet, do artista Thiago Amorim. Ali, a dança do cavalo marinho e o artesanato do barro se misturam numa “oficina de transformações”.
Também de Olinda, o ponto de cultura Alafin Mimi, ligado ao Afoxé Alafin Oyó, recebe o projeto )ilu(minado. Quem recebeu o prêmio foi o artista Ricardo Brazileiro e a proposta tem como base o trabalho com o ilu, instrumento de percussão que é a base do afoxé. No caso do ponto de cultura Surdas Vozes Visuais, do Recife, que trabalha com a inclusão de pessoas com necessidades especiais, o instrumental é humano. O espaço abrigará a proposta de Elizangela Santos, intitulado Design Sonoro de Contação de História. O projeto trabalha com as sonoridades e a ludicidade do ato de contar histórias, através da criatividade.
O Ponto de Cultura Tecer, de Camaragibe, recebe o Projeto Tecendo Imagens Livres, proposto pela radialista Natália Wanderley. O projeto, com duração de três meses, é focado em audiovisual, através de cineclube e oficinas de vídeo. Finalmente, Serra Talhada, no sertão, recebe o carioca Cassiano Gomes da Costa. Com seu Artes do cangaço em cena, o artista une artes cênicas (teatro e dança) ao trabalho do Ponto de Cultura Artes do Cangaço, do Grupo Cabras de Lampião, cujo enfoque está no xaxado.